19 de setembro de 2008

Crônica de uma vida


Aquele garoto, no começo de sua adolescência, foi completamente consumido por uma paixão que o deixaria cada vez mais descontente com as peculiaridades da moral humana falha. Uma sucessão de acontecimentos infortunos girando em torno dessa paixão fizeram de sua vida um verdadeiro mar de ilusões.

Eram completos opostos que teimavam em não se atrair. A garota popular não podia ser mais do que simples amiga do garoto desconsiderado pela turminha da vez. Mas o obstinado rapaz seguia apaixonado e na sua batalha desigual por um amor teoricamente impossível.

Poucos o incentivavam. Recebeu duros golpes traiçoeiros. Até quem mais podia ajudá-lo foi omisso. Na verdade só podia contar com sua auto-confiança.

Declarou seu amor várias vezes. Provou que tinha coragem, mas não era o bastante. O que ela queria ele não podia dar. Não havia conquistado, ainda que de forma passiva, seu lugar ao sol.

Resignou-se o garoto, inconformado, pois aquele sol era artificial demais, não provocaria alteração alguma nem em sua pele. Ele sabia que tinha muito mais a oferecer, e saiu em busca do verdadeiro sol. Este sim faria uma revolução em sua vida, e ofuscaria toda a mediocridade de que sempre foi alvo.

O preço a ser pago era alto, mas o pior ainda estava por vir.

Mesmo sob o sol da superação o garoto, que virou homem, ainda precisaria enfrentar convenções sociais medíocres, forçando-o a construir tantos personagens falsos que sua história de vida aos poucos desapareceria. Era como se ele tivesse vivido a maravilhosa vida de Paris Hilton, cada dia da sua vida.

- Navi Leinad -


9 comentários:

Harold disse...

Oi Daniel!
Ontem terminei de ler um livro de Rubem Braga, o maior cronsita deste país. Fiquei contente. Gosto do modo como ele escreve. E eis que hoje vem você com uma crônica. Que coisa boa.
Lhe parabenbizo. Nos mostre mais textos dessa sua sara.
Um abraço!

Anônimo disse...

Encontrei esse seu blog e gostei. parabéns. Rostan.zip.net

Anônimo disse...

Olá Daniel como vai tudo na paz !
Olha li este belo texto que voc~e escreveu e gostei muito um grande abraço do.
Celso

Ivan Daniel disse...

Harold,
valeu pela força!
Abraço.

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Rostan,
obrigado.
Volte sempre!

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Celso,
tudo na paz sim.
Obrigado, e abraço.

Anônimo disse...

ainda nem sei o que escrever... mas gostei do que li!!!! Parabéns

Ivan Daniel disse...

Obrigado, anônimo.
Ficaria mais agradecido se houvesse sua identificação.

Rafael disse...

Fui eu quem escreveu como anônimo, tive que escrever com uma certa pressa, motivada pela falta de criatividade. Mas agora, depois de uma boa caneca de café, estou me sentindo um pouco mais inspirado. Gostei da sua crônica por alguns motivos, e tentarei elencá-los, mas só advirto, quando jovem fui aconselhado pelos adultos a trocar as músicas do Legião Urbana, e desenhos infrutíferos no Paint, por coisas sérias de gente grande, então não posso garantir escrever bem sobre o que sinto.

1- Vivemos em uma sociedade tão neurótica em que somos obrigados a desempenhar tantos papéis quanto for necessários para viver. Cada dia que passa desvalorizamos mais o que a pessoa é em essência por o que ela produz, obrigando-nos a produzir mais e mais, e sempre mais para termos a valorização como prêmio. Vamos deixando para trás valores e pessoas importantes, por exemplo, já nos conhecemos a tantos anos, mas qual foi a última vez em que paramos nossas atividades para jogar “aquele bilharito, bebendo aquela cerveja”, lá no finado Sikizé???!!!

2- Ainda em função desse sociedade neurótica, somos conduzidos a pensar apenas no presente e no futuro. A nostalgia e o saudosismo viraram crimes, uma afronta a quem deve sempre evoluir... aos poucos vamos esquecendo de nossa história, de onde viemos? As pessoas marcantes??? As pessoas que passaram tão rapidamente, mas mesmo assim, deixaram a sua contribuição??? Os acontecimentos particulares que destruíram antigos paradigmas internos e construíram em você um ser melhor??? Um dia desses, tinha esquecido da minha 1ª bicicleta, e muito pior, um dia desses encontrei com o meu tio que me deu a bicicleta de presente, e não o agradeci!!! Mesmo tendo se passados tantos anos deveria agradecê-lo sempre por ele ter me proporcionado tantos momentos bons, quando eu andava de bicicleta.

Escrevi parcialmente o que penso, e o que sinto, não escreverei mais, pois imagino que não haja mais espaço, e para termos assuntos novos para a mesa de bar... Voltarei ao trabalho, depois de algumas frases de lucidez completa.

Um grande abraço, e PARABÉNS pelo seu talento.

Ivan Daniel disse...

Bem lembrado, uma mesa de bar. É o que se precisa, meu caro.
Abraço, e obrigado mais uma vez.

Marcelo Bresciani disse...

Fala Prezado!
Belo conto! Fazia tempo que aqui não passava, mas como em toda grande volta passamos novamente por um ponto, como no jogo "banco imobiliário", mas um tiquinho a mais evoluído. A vida tem dessas. :) Isso tudo me deu idéias! E o muleque, como tá? Muito grande né? É isso bom e velho amigo, um grande abraço!!!